Mortes por COVID-19 disparam em Divinópolis

O aumento dos óbitos por COVID-19 elevou a taxa de letalidade em Divinópolis, Região Centro-Oeste do estado, para 3,25%, segundo o boletim mais recente da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa). Só nesta semana, a pasta confirmou sete novas mortes, três delas foram divulgadas nesta sexta-feira (14). A situação está gerando preocupação e pode refletir em novas restrições de atividades econômicas.

As vítimas tinham idade entre 54 e 79 anos, todos apresentavam algum tipo de comorbidade. As mortes foram registradas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no Complexo de Saúde São João de Deus e Hospital São Judas Tadeu. Uma das vítimas deu entrada na UPA, em Divinópolis, mas foi transferida para Campo Belo, onde faleceu.





A primeira morte confirmada na semana foi a de um idoso, de 73 anos. Ele era tabagista, etilista e asmático. O paciente foi hospitalizado na UPA no dia 15 de junho e transferido para o São João de Deus no dia 23 do mesmo mês.  Foi realizado o PCR, porém o exame não detectou o vírus, mesmo assim, a Saúde classificou o caso como novo coronavírus. O idoso morreu no dia 30 de julho.

“Mesmo com o exame negativo, foi realizada a tomografia no hospital e encerrado o óbito por critério clínico-imagem. Seguindo a nova nota técnica do estado”, informou a prefeitura.

No dia seguinte, quarta-feira (12), outros dois óbitos foram divulgados. A idosa, de 79 anos, possuía doença cardiovascular crônica, pneumopatia crônica e hipertensão. Ela ficou internada por 11 dias na UPA e morreu no dia 10 de agosto. Já o idoso, de 67 anos, ficou hospitalizado por 14 dias e faleceu no dia 9 de agosto. O PCR de ambos confirmaram a doença.

Na quinta-feira (13), houve a confirmação da morte de um idoso, de 62 anos. Ele era portador de doença hepática crônica e diabetes. O exame laboratorial também detectou o vírus. A morte ocorreu no dia 7 de agosto.

Evolução 

A coordenadora de Vigilância em Saúde, Janice Soares, disse que a quantidade de óbitos confirmados nesta semana está ligada ao atraso do laboratório na liberação dos resultados, o que gerou o acúmulo. O município tem parceria com a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) para os testes de PCR. 

As mortes, segundo Janice, ocorreram devido ao agravamento do quadro de saúde dos pacientes. “A gente pode afirmar que essas pessoas foram a óbito não devido a ausência de assistência -todas receberam a assistência necessária -, porém devido à questão da comorbidade delas, que deu um desenrolar, um diagnóstico desfavorável que foi o óbito”, explicou. 

A maioria dos pacientes foi hospitalizado no final de julho. Nas duas semanas seguintes, a taxa de transmissão aumentou. A coordenadora não atribui o aumento a ampliação do horário do comércio, mas reconhece o avanço de casos no período. “A gente estava prevendo isso, porque antes de a gente chegar nessa semana a gente viu que o RT, que é a taxa de transmissão do vírus, estava muito alta (…) Estava com RT de 2.2”, esclareceu. O RT significa quantas pessoas um paciente pode contaminar. 

Restrições 

A tendência para os próximos dias pode ser de redução. “Como o RT está mais baixo, a gente espera que o número de novos casos diminua em 10 a 15 dias”, destacou. Mesmo com essa perspectiva, o Comitê de Enfrentamento à COVID-19 está em alerta. “Nosso comitê está muito preocupado, estamos acompanhando os dados todos os dias e está aumentando”, alertou. Entre está segunda e quinta foram novas 58 confirmações.

No início da próxima semana, o Comitê irá se reunir e deverá discutir a possibilidade de novas ações. “Continuando essa curva, nesta ascendência e número de óbitos teremos que tomar medidas além do Minas Consciente e o município terá que ser mais restritivo”, destacou. Também será analisado pelos membros as motivações para a evolução.

“Percebemos uma aglomeração grande na rua, bares cheios, pessoas bebendo na porta dos bares, não estavam cumprindo o distanciamento recomendado. Mas ainda não podemos falar que este aumento de casos é em função disso, porque foi no final de semana passado. Quando a pessoa se contamina ela tem de 0 a 14 dias para ela manifestar os sintomas. Então, o resultado da semana passada deve aparecer em uma semana”, explicou. A reabertura ocorreu a partir de adesão ao Minas Consciente.

Para ela, o consumo de bebida cria a ideia de normalidade. “Faz essa falsa sensação que a pandemia está passando, e não está, principalmente em Divinópolis”, ressaltou. 

O último boletim divulgado pela Semusa aponta 800 casos confirmados do novo coronavírus na cidade. Deste total, 676 pacientes estão recuperados.

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